Nos EUA são loirinhas, magrinhas e sempre a menina mais popular do liceu. Usam mini-saias e ténis, fazem pirâmides humanas, têm pompons e fazem mortais. Na outra ponta estão os cheerleaders portugueses. Sim OS e essa é só a primeira diferença.
Ontem fui ver o CFB-FCP ao estádio com o melhor cenário do mundo com o Leal. Ficámos os lugares mais em conta, rodeados de SuperDragões o que me permitiu olhar para o fenómeno claque sem ser pela televisão e reparar naquelas pérolas que só assim. O cheerleader, em Portugal (ou quiçá no futebol em geral, não sei, sou do Porto, nunca estive com outra claque nem fui à bola noutro país) é um tipo que leva o jogo de costas para o campo, empoleirado numa barra que marca a divisão entre a zona reservada-aos-macaquinhos-claque e a zona não-podemos-pôr-cá-ninguém-porque-mete-medo! É um tipo geralmente de constituição generosa, a puxar ao azeiteiro, óculo ray-ban da banca do Quaresma na Feira de Oliveira do Douro. A sua função durante o jogo é pôr a claque toda em cantoria sincronizada, escolhendo aleatoriamente temas do CD dupla-platina "Superdragões de corpo e alma" que todos os adeptos sabem de cor e salteado. Comanda a claque como treinador de circo, Braços no ar... já disse braços no ar car#$%o, não têm bracinhos, F"#-se?? e todos obedecem, por respeito, medo ou mesmo por piada. Coordena também as operações de guerrilha, oh tu ai, rebenta a bomba e PPUUMM uma bombinha, Camandro, a bandeira, e o Camandro ergue o bandeirão e agita-o com toda a energia em si, Xuxu, arranca a cadeira, e cadeirirnhas azuis esvoaçam no estádio.
Conta com o incansável apoio do seu PA, que aqui claque é uma empresa complexa, tem gente com coletes "SuperDragões Santa Iria d'Azóia STAFF" e tudo! Os PAs são uns trainees para cheerleader cuja função é dar o ombro ao manifesto, ou ao ditador do manifesto, o líder de claque. Durante todo o jogo ali fica, em pé, quietinho, com a mão do cheerleader no ombro, oferecendo-se como pilar de apoio, não vá o entusiasmo causar uma perda de equilíbrio e lançar o líder bancada a baixo. Não canta, não salta (nem mesmo quando quem não salta é lampião!), não bate palmas. Fica, heroicamente, ajudando o seu senhor!
Ele há temas em que, por amor ao Porto, a malta se dispõe a morrer, ele há temas insultuosos das demais equipas, ele há temas pró-Lizandro, pró-Quaresma, pró-Lucho e até pró-Pinto da Costa. Ele é um orgulho que não há descrição! Bibó Porto, carago...
Subscribe to:
Post Comments (Atom)

4 comments:
caramba!
estou na profissão errada.
também gostava de liderar uma angry mob azulada.
quando começam as inscrições para trainee? :)
Eu já ouvi falar nesses "Super-Dragões" que ao que parece são a claque organizada que defende as cores do meu clube. Nunca me sentei perto d'eles, mas acho que consigo imaginar espectáculo. O líder da claque é um tal de Madureira. Moço nascido na ribeira do Porto e que até já escreveu um livro (ou pelo menos ditou para que alguém escrevesse) sobre a vida e história da claque azul-e-branca. E há com cada história...
já postavas (e tiravas a musiquinha.. não é que não seja boa, mas já cansa um bocadinho) :)
ammmm... post?
Post a Comment